CONQUISTAS

Via de 190 metros na Cachoeira do Bananal em Botumirim

Cachoeira do Bananal - Foto Arquivo IGSLocalizada na Serra Branca, na cidade de Botumirim a 172 km de Montes Claros, e formada pelas águas escuras do Córrego do Mosquito, a Cachoeira do Bananal com seus 210 metros de queda, é tida como a segunda maior do estado de Minas Gerais. Na época das chuvas seu volume de água dificulta o acesso até sua base, mas a partir de Abril o volume diminue, facilitando o caminho até o posso que forma aos pés desse presente da natureza.
Entre os dias 15 a 17 de Agosto, uma equipe formada por Robson, Hélio Jr, Magnuns e Eu, conquistou a via Enganei vocês, agora é tarde - 6º VIIº E5 D4 - 190 metros. A via segue por um sistema de fendas e chaminés à esquerda da cachoeira e termina em um trepa mato, que leva ao topo da cachoeira. Foram utilizadas apenas seis proteções fixas, duas na primeira enfiada devido à má qualidade das fendas, geralmente cheias de mato e terra, e nas paradas, sendo a última enfiada numa rampa de cheia de mato e com a parada em árvore. O rapel é meio complicado, pois deve ser feito na mesma linha da via, dentro das chaminés, podendo enganchar a corda na hora de recuperá-la.

A via e seus perrengues

Magnuns na 1ª enfiada - Foto Arquivo Pessoal

A primeira enfiada, conquistada por Magnuns, transcorre sem muita dificuldade, deve-se sair em oposição na fenda até a agarra perto do Pê, um friend grande na fenda ajuda a diminuir o estresse do lance, após passar o Pê pegue a esquerda e siga a fenda, até próximo Pê, entre na chaminé estreita e saia à esquerda até a parada no platô.
A segunda enfiada, conquistada por Hélio Jr, é o crux da via, siga pela chaminé e procure as fendas mais sólidas, não economize nas peças grandes e médias, leve todas e guarde seu maior friend para proteger o último lance da enfiada. As técnicas de chaminé e entalamento de corpo são exigidas ao máximo, haverá momentos em você deve sair um pouco da chaminé para passar lances estreitos, há poucas agarras neste trecho. Quando atingir um pequeno platô dentro da chaminé, haverá mais um lance meio externo, proteja bem esta passagem, será a proteção mais sólida dos próximos metros, volte para dentro da fenda e vá em direção de um bloco que fecha a fenda, se tiver uma camalot 4 ou maior use-o no canto da chaminé, vá em direção a um bloco que fecha a fenda, na base cabe um hexentric e um friend, contorne o bloco e você verá dois Pês bem expostos, a talhadeira ficou cega e tivemos fazer a parada mista, utilizando os móveis. Há necessidade de trocar os Pês, pois durante o rapel colocamos uma chapeleta no platô, para aumentar a segurança.
A terceira enfiada, conquistada por Robson, sai do platô e segue por um sistema de fendas, peças pequenas e médias fazem proteção deste lance. Siga em direção a um platô de mato à direita, o crux da passagem e subir um trecho em chaminé bem aberto, necessitando de um pouco de flexibilidade, guarde um friend pequeno para proteger este lance no início da chaminé, depois deste lance, chega-se ao platô da terceira parada em chapeleta, que deve ser duplicada.
A quarta enfiada, conquistada por mim, volta para dentro da chaminé que vai se tornando estreita e meio negativa te jogando para fora, peças médias e pequenas protegem este lance. Quando sair da chaminé cuidado com as pedras soltas e pedaços de pau, siga até o platô e verá o Pê da quarta parada, que também deve ser duplicada. A quinta enfiada, conquistada por Hélio Jr, deve-se sair pela direita e seguir pela rampa de mato até uma árvore um trinta metros acima, não foi colocada nenhuma proteção neste trecho.
Se você quiser atingir o topo da cachoeira, siga pelo platô de mato até contornar a rocha e você saíra na campina, volte a esquerda. Do topo da cachoeira dá para rapelar até a quarta enfiada, mas se você quiser curtir uma boa caminhada, volte pela campina até a cidade.

Magnus, Robson e Rivelino na 1ª parada

Roubadas

O tipo de rocha do local e o arenito e o quartzito, e como todo conquistador sabe o quartzito e duro de furar, uma das talhadeiras ficou cega com apenas quatro furos e demorávamos em média 45 minutos para cada buraco. Quando chegamos no início da chaminé, achamos que faríamos o cume no segundo dia de escalada, nos enganamos, chegamos na quarta parada por volta das 18:00 hs, e devido à dificuldade do rapel optamos em bivacar nos platôs da terceira e quarta parada, e como Murphy e suas leis só existem para nos atazanar, a água também acabou. Imagine o que é dormir com sede e a água caindo a dez metros de você! Isso mexeu com os nervos da equipe. Mas como a paixão pelas montanhas é um sentimento incomensurável, superamos e voltaremos lá de novo e conquistar outra via, com ou sem água.

Dicas

A maior parte da via fica na sombra. Uma dupla bem entrosada ou um trio rápido pode repetir a via entre 04 a seis horas de escalada.
O carro pode ser deixado a cerca de uma hora de caminhada da via, e deve-se seguir pelo leito do rio até a base, existe um trilha que não achamos, que evita o leito do rio e também leva a base. Procure ir de julho em diante devido ao grande volume de água na cachoeira, que provavelmente molha a maior parte da via.
Se quiser evitar o rapel, pode-se dar a volta pela campina e sair na cidade, são mais ou menos duas horas de caminhada, mas é ideal ter um guia local caso não conheça a região, outra opçaõ é descer mais à frente pelo mato, só que não há trilha, o terreno e íngreme e a mata e bem fechada. Já estamos preparando uma nova conquista por fora da chaminé, o que vai aumentar as opções de escalada e melhorar o rapel, alguém se habilita ?? Há água o ano inteiro na cachoeira e há duas nascentes onde se deixa o carro. É interessante que se vá com alguém que conheça o local para ganhar tempo, companhia e o que não vai faltar.

Rivelino com a via marcada ao fundo

Equipamentos

  • 02 Cordas de 60 metros
  • 15 Costuras
  • 01 Jogo de Stoppers (peças médias e grandes repetidas)
  • 01 Jogo de Hexentrics(peças médias e grandes repetidas)
  • 01 Jogo de Friends
  • Fitas tubulares tamanhos variados
  • 06 Mosquetões de Rosca

Se você tiver um Camalot 4 ou 5, leve-o, lhe será muito útil na segunda enfiada.









Magnuns, Rivelino, Hélio e Robson  comemorando a conquista

Agradecimentos

A Deus por permitir nossa conquista, nossas esposas e filhos pela paciência, à Metalúrgica WM pelas brocas e pês - valeu Walmir, ao Pedrinho da Adrena pela atenção e o precinho camarada da corda, ao IGS pelas fotos e informações, a Dany, Jairo e Renato por nos guiar até o local, a todos os nossos amigos que torceram por nós e a você que dedicou seu tempo para ler nossa história.
Que a paz das montanhas esteja com vocês.
Jober Rivelino, Magnuns Leandro, Hélio Jr e Robson Joel.

Se você tem uma conquista? Mande um e-mail para jober@uai.com.br com o assunto Escaladamoc.